ano

projeto:     2010 e 2012

construção:    2010 a 2015

 

áreas habitacionais

terreno:     36.340 m2

construção:     79.355 m2

 

habitação

1.252 unidades habitacionais distribuídas em 11 condomínios

 

praça e equipamento institucional

terreno:     8.500 m2

edifício cultural-educacional:     2.550 m2

 

creche

terreno e construção:     800 m2

 

localização

A Favela do Real Parque, com aproximadamente 47.300,00 m², localiza-se na cidade de São Paulo, no bairro de mesmo nome no distrito do Morumbi, a 9,4 quilômetros da Praça da Sé, e faz parte da Subprefeitura Butantã. Está localizada a, aproximadamente, 200 metros da avenida Marginal do rio Pinheiros, na altura da Ponte Octávio Frias de Oliveira. Em área contígua à favela, entre os terrenos lindeiros à Marginal e a Rua Paulo Bourroul, com frente para esta última, localiza-se o Conjunto Habitacional Real Parque (Cingapura), resultado do programa PROVER, construído entre os anos de 1996 e 2000.

Situada próximo às áreas estritamente residenciais do Morumbi, em termos de zoneamento urbano municipal, a área ocupada pela favela foi definida como ZEIS - Zona Especial de Interesse Social pelo Plano Diretor Estratégico, em 2004, (ZEIS 1/W 044). Esta ZEIS é circundada por uma Zona Mista de Média Densidade, a ZM 2/15.

 

histórico

O período provável do início da ocupação espontânea do Real Parque data de meados da década de 50, quando a região ainda se configurava com características rurais. Com a expansão da cidade, a área do Real Parque, gradativamente, foi sendo ocupada e habitada. Informações apontam que operários da construção do Estádio Cícero Pompeu de Toledo (Estádio do Morumbi, 1953-1960), emigrados de Pernambuco, parte deles etnicamente formados por índios Pankararu, teriam constituído os primeiros agrupamentos de habitação precária. Encerradas as obras do estádio, no final da década de 50, esses operários teriam permanecido nas proximidades, formando a favela Real Parque.

Em 1987, a área já era constituída por 679 domicílios, sendo 54 em alvenaria (Fonte Censo de Favelas do Município de São Paulo). Neste momento, a antiga área rural já fazia parte da metrópole urbana paulistana. Em 1996, iniciaram-se os trabalhos de Intervenção Urbanística pela Prefeitura de São Paulo, através do Programa de Verticalização de Favelas - PROVER (Cingapura). Dentro deste Programa, até o final do ano de 2000, foram entregues 549 unidades habitacionais, implantadas entre a Rua Paulo Bourroul e a Avenida Marginal Pinheiros. Em maio de 2008 foi realizado o cadastramento da ocupação, totalizando 1.428 imóveis e 1.130 famílias (desconsiderando imóveis vazios e recusas de cadastro). Nesse período, também foram iniciados os estudos mais completos de projeto para a área do Real Parque.

A favela do Real Parque apresenta um quadro socioeconômico grave: a maior parte da população moradora tem apenas quatro anos de estudo e renda entre um e dois salários mínimos e grande parte da população trabalha nas redondezas do bairro nobre do Morumbi.

 

proposta atual

Com a determinação legal de destinação de parte dos recursos da Operação Urbana Faria Lima para a urbanização das favelas Real Parque, Panorama e Coliseu, através da Lei Nº 13.769/04, esta favela tornou-se prioridade da gestão municipal. Considerando esta prioridade e a disponibilidade de recursos, HABI iniciou o processo de desapropriação de mais áreas para atender a toda a demanda existente em conformidade com a legislação urbanística vigente. Duas áreas acima da Rua Conde de Itaguaí foram desapropriadas. Elas localizam-se nas Quadras H e I.

A prioridade das obras no Real Parque se deve a algumas importantes condicionantes urbanas: a) sua excelente localização com relação à cidade; b) disponibilidade de infraestrutura e transporte coletivo (sobretudo no nível metropolitano a partir da integração da ferrovia da CPTM com a linha Amarela do Metro na Estação Pinheiros); c) facilidade de acessos viários representado pela proximidade da Avenida Marginal Pinheiros e ampliado com recém construída Ponte Octavio Frias de Oliveira; e d) proximidade de amplo mercado de trabalho representado pelos condomínios residenciais da região e, na margem oposta do rio Pinheiros, pelos importantes complexos comerciais e de escritórios.

A prioridade também ocorre pelo fato de grande parte das construções estarem assentadas em encostas com risco de deslizamento e a sua maioria constituída de estrutura precária de alvenaria ou de madeira.

O entorno encontra-se urbanizado. As ruas que circundam o local são, em geral, asfaltadas com calçadas com guias; possuem galerias de água pluvial, redes de água, esgoto, gás, energia elétrica e iluminação pública. A coleta de lixo atende ao sistema viário do entorno da favela. Comércio e serviços de âmbito local são as atividades não-residenciais mais presentes na favela e seu entorno. Algumas grandes lojas estão localizadas na vizinhança, próximo à Avenida Marginal Pinheiros, como a Leroy Merlin, o Pão de Açúcar e a Decathlon.

 

projeto

O Setor Habitacional, com 1252 novas unidades, será constituído por quatro quadras (H, I, A) e dividido em 11 condomínios executados sobre a área hoje ocupada pela da favela e mais dois terrenos integrados ao Plano Urbanístico, todos destinados ao uso predominantemente habitacional com ocorrência de módulos comerciais no pavimento térreo em alguns locais (conforme prevê a legislação). As quadras H e I foram desapropriadas por serem terrenos vazios e permitirem a construção imediata dos primeiros blocos de apartamentos do conjunto. Parque-Praça, destinado aos espaços públicos e a áreas verdes, Creche e Centro Social-Educacional complementam o programa.

O arruamento local é, basicamente, existente e resultado de loteamento da década de 1950. A ele integram-se duas novas vias que complementam o sistema viário. Parte das vias existentes será retificada para adequar a calha à legislação atual e ao tráfego do transporte coletivo. O Plano Urbanístico prevê o prolongamento da rua Paulo Bourroul com o objetivo de estabelecer a articulação com a avenida Marqinal do Rio Pinheiros e melhor integrar a área com o sistema viário da região. Essa obra deve, também, criar as condições para a implantação de passarela para a transposição do rio e conexão com a ferrovia da CPTM, na Estação Berrini e, assim, disponibilizar o acesso da população do real Parque ao transporte público metropolitano.

 

habitações

Todas as edificações da favela Real Parque serão removidas para a implantação das novas habitações, distribuídas em condomínios fechados e atendidos pelas redes projetadas de água, (com medição de consumo individual), esgoto, gás e energia elétrica.

Estas redes serão interligadas às redes públicas existentes. As questões de acessibilidade reguladas pela NBR-9050 serão contempladas e 3% das unidades habitacionais adaptadas para portadores de necessidades especiais. Os condomínios serão constituídos, no máximo, por 150 unidades. As áreas livres serão projetadas com critérios paisagísticos e, além das áreas verdes, dotadas de equipamentos de lazer cobertos e descobertos. Todas as suas divisas serão fechadas (gradil e/ou muro), com controle de acesso.

A solução arquitetônica é a da habitação coletiva verticalizada, resolvida através edifícios entre 7 e 9 pavimentos, conforme as particularidades topográficas da implantação. O pavimento térreo de acesso estará sempre em nível intermediário, com 4 pavimentos superiores e, conforme a situação, de 2 a 4 pavimentos inferiores, dispensando da obrigatoriedade da solução mecânica para a circulação vertical. Em todos os edifícios o elevador está pensado como alternativa opcional futura. Nos pavimentos, a circulação horizontal está resolvida através de varandas abertas e voltadas para as áreas coletivas de lazer, que configuram praças internas dos condomínios. O programa dos apartamentos prevê dois dormitórios, banheiro, sala e cozinha, integradas, e área de serviço, além de varandas nos dormitórios. A área total privativa de cada unidade é de 55 m2.

As Áreas Comerciais estão situadas dentro da Quadra A num total de 85 módulos entre 15, 25, 50 e 90 m2. A Praça e Parque estão localizados na área central da Quadra A, entre as Ruas Conde de Itaguaí e Paulo Bourroul. Com área aproximada de 8.500 m², o sistema será constituído por um espaço linear localizado nas cotas de nível mais elevadas, configurando um Mirante, além terraços, caminhos e trilhas em meio a áreas de recuperação da arborização nas encostas, através do que se pretende atingir os níveis inferiores da Praça no nível da Rua Paulo Bourroul.

O Centro Socio-Cultural e Educacional está implantado neste contexto, numa posição estratégica em relação ao complexo construído de forma a ter fácil acesso e privilegiada visibilidade e domínio da paisagem. Pode ser explicado a partir do desenho urbano do bairro-conjunto habitacional e da necessidade de promover maiores conexões e interligações entre os vários espaços urbanos e condomínios habitacionais. Assim, a cobertura do edifício, na cota 760,00, serve de via pública de passagem entre a nova via no interior da Quadra A-Leste, entre os condomínios 1 a 4, e a rua Conde de Itaguaí.

Exatamente nesse ponto (cobertura do edifício) é possível a leitura plena do território assim como conectar as vias circundantes, a praça e o parque. A solução foi delineada como consequência da acomodação à topografia do terreno caracterizada pela declividade acentuada entre as ruas Conde Itaguaí e Paulo Bourroul.

O edifício se configura como um prisma regular de 11x65 metros composto pela cobertura como via de passagem, dois pavimentos intermediários integrados, o pavimento em pilotis, integrado ao Parque na encosta, e o Espaço de Uso Múltiplo integrado à Praça no nível da rua Paulo Bourroul. Os pavimentos intermediários deverão abrigar programa educativo-cultural e se apresentam com autonomia de acesso e uso. Uma plataforma suspensa na encosta, no nível pavimento intermediário inferior, conecta o edifício ao parque. A articulação vertical entre todos os pavimentos se resolve através de um sistema de rampas conjugado ao edifício. Dessa forma, possibilita a circulação pública desde a praça até a via-cobertura conectando todos os pavimentos de forma independente ao funcionamento dos pavimentos. Além do sistema de rampas externo, a circulação vertical entre os pavimentos intermediários será complementada por escadas posicionadas de forma a favorecer a funcionalidade e distribuição dos espaços internos.

O existente Conjunto Habitacional Cingapura-PROVER é composto por 549 habitações distribuídas em 42 blocos e 5 condomínios, ao redor dos quais foram construídos irregularmente diversos barracos e abrigos de veículos cobertos. São prédios que variam entre 5 e 7 pavimentos. Os pátios internos estão sem a grama de revestimento no solo, porém conservam parte dos arbustos e árvores do projeto de paisagismo original. O conjunto será objeto de proposta de regularização, recuperação e qualificação das suas construções, instalações e espaços livres.

 

 

equipe técnica

 

arquitetura

Escritório Paulistano de Arquitetura

 

arquitetos responsáveis

Eduardo Colonelli (Escritório Paulistano), Geni Sugai (SEHAB/HABI-Sul) e Jeferson Diniz (SEHAB/HABI-3)

 

equipe

Eduardo Gurian e Fernando Botton (coordenação)

Bruno Nicoliello, Juliana Blanaru, Lourenço Rebelo de Andrade, Mayra Rodrigues, Marcelo Anaf, Marina Colonelli, Michelle Waisblut, Renan Kadomoto.

 

paisagismo

Plínio de Toledo Piza

 

iluminotécnica

Cia de Iluminação

 

consultoria de caixilhos

Arqmate

 

estrutura

Modus Engenharia de Estruturas (quadras H, I1 e I2)

Steng Engenharia de Projetos (quadras A e edifício institucional)

 

fotos

Sehab (fotos aéreas)

Pedro Vannucchi

 

modelo eletrônico (centro cultural)

Vito Macchione