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estação ferroviária e centro cultural de araras |2004| araras, sp

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Concurso Nacional Organização: Associação de Cultura e Artes de Araras e Instituto de Arquitetos do Brasil - IAB-SP Premiação 2º Lugar*

 

Criar um Centro Cultural a partir das antigas instalações da Estação Ferroviária na cidade de Araras apresenta o desafio de dar um novo sentido para edificações abandonadas, dispostas de maneira peculiar.

As construções existentes compõem dois conjuntos distintos - a Estação, com sua Plataforma de Embarque e Desembarque, e os Armazéns – que conservam, entre si, uma significativa distância definida pelas necessidades operacionais das antigas funções. O espaço foi organizado com base no desempenho de distintas operações (embarque/desembarque de passageiros, de cargas, armazenagem, manutenção, habitações de funcionários, etc.) que, desenvolvidas com certa independência, se integravam a partir da composição do trem, vinculando os edifícios pelas plataformas ao longo do leito dos trilhos. A implantação estrutura-se, portanto, linearmente através de único eixo, conforme a lógica da linha férrea.

Para a realização do novo uso pretendido é imprescindível a configuração de um espaço centralizador, capaz de estabelecer uma nova lógica espacial ao conjunto e integrar as antigas e novas construções.

A avenida Franzini, implantada à margem do leito da ferrovia, induz à realização de um novo eixo estruturador, transverso ao estabelecido pela linha férrea. A articulação da avenida com o vazio existente entre a Estação e os Armazéns, possibilita a configuração de um espaço no centro geométrico do conjunto, com caráter público e aberto, destinado a ser uma praça e ponto focal do Centro Cultural.

A Praça Central, com formato quadrado de 45 metros de lado, é construída a partir de uma Marquise transversa ao eixo original, com 45 metros de vão e 22,5 metros de largura, apoiada em duas Paredes-Mestras paralelas ao leito dos antigos trilhos. Conservam-se abertas e “permeáveis” no nível do pedestre possibilitando o acesso e a visibilidade do espaço que se desenvolve internamente. Com 45 metros de comprimento, funcionam como parâmetros de um amplo espaço aberto, de formato quadrado, que se projeta para além dos “trilhos”, chegando até o passeio público junto à avenida. Anúncio da intervenção e do novo espaço que abriga um novo uso.

Por toda a frente da avenida, desde os Armazéns até o final da Plataforma, numa extensão de 245 metros, um espelho d’água ocupa o lugar dos antigos trilhos, recria a linha e restabelece o limite que define o espaço. A ciclovia será mantida e, por toda a extensão do projeto, o afastamento até o Centro Cultural será ampliado até o limite do espelho d’água, transformando-se em um Passeio Público; com largura média de 7 metros, arborizado e disposto de mobiliário para a permanência e descanso, promove ampla visibilidade do conjunto arquitetônico. Em pontos estratégicos, este limite é transpassado por pontes que estabelecem a conexão com o Passeio Público, definindo diferentes acessos para os pedestres. O acesso principal ao Centro Cultural ocorre a partir desse espaço, na altura da Praça Central, sob a Parede-Mestra.

O projeto procura tirar partido da topografia local, apropriando-se da diferença de nível existente entre a cota da Plataforma dos Armazéns (praticamente coincidente com a da avenida Franzini) e a da avenida Nestlé, rebaixada na ordem de 3,00 metros, conforme nossas observações em visita ao local. A Praça Central se desenvolve em dois níveis principais: o nível superior, na cota 10.50 (avenida Franzini) articula com os Armazéns e com a Estação (nível 10,00); e o nível inferior, na cota 7,50 (avenida Nestlé) abriga o Auditório e anexos, além de configurar um espaço caracterizado como Arena para eventos abertos. Neste nível também se localiza a Administração, no térreo do Edifício das Oficinas.

No seu interior, aproximando-se da Parede-Mestra 2 na avenida Nestlé, está localizado o Edifício das Oficinas. Com configuração alongada abriga, além das Oficinas no 1º pavimento, também a Administração, no pavimento térreo. No nível 10,50 da Praça Central, um pavimento intermediário livre em pilotis: espaço aberto destinado à permanência e convivência. O edifício passa livre sob a Marquise sendo que, a cobertura, é um terraço onde se localiza a Oficina 6, com possibilidades de atividades ao ar livre.

A proposta arquitetônica pretende, ao mesmo tempo, estabelecer uma referência central no conjunto e criar um novo enquadramento para as antigas construções. A perspectiva visual pelo eixo dos antigos trilhos, o ponto de vista ferroviário, está conservado e a leitura das antigas construções assim garantida, estabelecendo desejável diálogo com as novas estruturas.

 

equipe

 

Eduardo Argenton Colonelli, Eduardo Pereira Gurian, Fabio Kassai e Gabriela Ravani Gurgel

 

consultoria em estruturas

 

Jorge Zaven Kurkdjiam